
Esses dias estava em casa mexendo em algumas mala velhas, e achei meus antigos diários, eu sempre gostei de escrever, por isso ganhei um diário todo ano desde dos meus doze anos. Eu tinha me esquecido deles, esquecido que tinha trago eles comigo quando me mudei pra São Paulo, e lendo de novo o que escrevi fiquei pensando em como o tempo passa e nós mudamos, era como estar lendo as anotações de alguém que me é totalmente estranho. Ri de algumas partes e lembrei de outras que há muito tempo eu não lembrava, e que pra mim era como se nem tivessem acontecido.
Eu sempre tive uma mania engraçada, eu costumava transcrever minhas conversas para os meus diários, faz tanto tempo que eu não faço mais isso que até me esqueci que já tinha feito uma dia, mas agradeci a mim mesma por ter feito, achei boas conversas que eu tive com pessoas queridas que passaram ou que ainda estão na minha vida. E se eu pudesse dar um conselho é: Escrevam diários, é uma conexão com um passado visto por nossos olhos. Então vendo todas as minhas boas conversas lá escritas resolvi postar algumas aqui no blog. Umas eu terei de explicar, outras falam por si só.
Eu nunca falei do amor aqui, nunca nem se quer escrevi um texto sobre isso. Primeiro porque eu não sei se já amei, e segundo mesmo que tivesse amado foi em um momento tão juvenil, onde eu nunca saberia realmente como agir, e provavelmente eu não sei até hoje, em terceiro porque eu vou quebrar uma promessa ao falar nisso de novo. Mas é fato que eu sempre considerei o fato de nunca nem se quer ter chegado perto de um amor verdadeiro, não desse amor que vemos nos filmes e lemos nos livros.
No meu coração já habitou sentimento engraçado, de paradoxo, mas isso é uma daquelas histórias que não tem começo nem fim, e não tem muito o que contar. Mas na verdade essa minha seriedade no amor se deve ao fato de ter crescido e sido criada por uma mulher que conseguiu se manter amando por toda a vida um mesmo homem; Minha mãe é apaixonada pelo meu pai desde que eu me entendo por ser vivo e pensante.
Meu pai morreu de parada cardíaca com 25 anos, deixando minha mãe grávida de um mês (eu), eles ficaram juntos por 7 anos e minha mãe apaixonada a vida toda. É difícil banalizar o amor, vendo um verdadeiro todos os dias, resolvi transcrever uma conversa que tive com minha mãe sobre esse tal "Amor" ...
11/04/2004.
- Mãe??
- Hum?
- Você sempre foi apaixonada pelo meu pai, néh??
- Não, eu sempre amei o seu pai.
- Ahh... você entendeu!!!
- Entendi, quem não entendeu ainda foi você filha.. Rs..
-Mais ele morreu já faz tanto tempo!!
- E daí, o amor é uma dessas coisas que não precisa ser alimentada pra continuar existindo com força, quando se ama não se espera nada filha, nem amor de volta, é um sentimento maior que nós, e uma falta constante não só de presença mais de existência.
- Hã?... RsRs... não entendi nada... rsrs...!!
- Rs.. Não sei explicar, só sei que é assim Aneeee... Pra mim é assim, é esse sentimento que não diminui com o tempo.
- Mas você já teve um monte de namorados.
- E daí??
- E daí, que como você ama meu pai e fica por aí namorando?? Rs.
- RsRs.. é exatamente por isso que tive um monte... haha..
- Rs, não entendi!!!
- Se eu tivesse amado algum deles, teria tido apenas um. Na realidade procuro seu pai em cada um deles.
- Você sabe que nunca vai achar néh mãe?!!
-Infelizmente sei!
- Mãe??
-Hum?
- Eu sinto muito por você!!
- Não sinta, já ouvi pessoas que passam a vida toda sem saber como a amar de verdade e agradeço por ter tido a oportunidade mesmo que por pouco tempo.
-Acho que entendi.
- Não filha você só vai entender quando acontecer com você!
- Pois eu espero que não aconteça!
-Rs Credo, porque?
- Não sei bem, só sei que não quero.
- Você nem vai ter escolha.
- Vou sim. Mas mãe você acha que seu amor vai durar pra sempre??
- Não... Só enquanto eu viver!
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