
A vida às vezes parece viagem de trem, parece que as paisagens vão acabando a medida que se anda, li algo parecido com isso em um livro esses dias. Tenho a impressão que eu vivo num parênteses sem fim, em algum momento que eu não consigo determinar, ele foi aberto e eu fico esperando ele se fechar para as coisas voltarem para o lugar. As coisas andam meio confusas, e se escrevo com certa frequência é pela confusão então tenho que agradecer, porque de alguma forma isso é positivo pra mim, eu brinco e digo que sou uma dessas malucas que precisam sofrer para ser menos inútil não que meus textos sejam de alguma forma úteis para alguém além de mim.
Há alguns dias atrás, depois de mais alguns tropeços, me disseram que sou uma pessoa "Auto-suficiente" em tudo... Isso é no mínimo engraçado; É estranho ouvir o que as pessoas pensam de você, e notar a grande diferença do que você acha que é verdade e da impressão que passa para os outros. Também ouvi que parece que eu não preciso de ninguém, e quer saber o que eu penso sobre isso? Sou uma pessoa com mais defeitos do que gostaria, é bem verdade, mas já falei isso aqui uma vez e repito eu simplesmente não espero de ninguém o que eu não posso dar, relações dependentes realmente não fazem meu estilo e os meus limites são bem curtos. Tenho amigos mas não permito que eles invadam minha vida, conheço pessoas mais não permito que elas se tornem amigos se não tenho vontade de ligar para ouvir suas vozes, tenho relacionamentos mas antes de ser par eu sou ímpar a minha relação comigo dura mais tempo do que vai durar qualquer outra relação, minha vida não é livro aberto não quero ser folheada, o livro da minha vida é meu, e eu costumo abrir as páginas para algumas pessoas e para outras não, vou ao cinema sozinha se não tenho companhia, danço sozinha quando estou afim, me apaixono sim e sofro como todo mundo mas não faço disso assunto principal das minhas conversas, não vivo para ninguém além de para mim mesmo o que já é bem difícil, sou insegura até o último fio de cabelo mas não acho que seja responsabilidade das outras pessoas lidarem com todos os meus medos, a maioria das pessoas acha que para ter amigos e que geralmente para ter amor é necessário essa divisão total de dores e paranóias pra mim as coisas não funcionam assim. Amigos podem sim ajudar e realmente ajudam mais antes de encher o saco deles com meus problemas eu costumo lembrar que eles também têm seus problemas para resolver, e quanto ao amor temos que lembrar que ele é prêmio para quando estamos bem e não terceira perna para segurar nosso caos, temos que aprender que crescemos sozinhos uma boa companhia só ajuda isso acontecer mais rápido. Sou teimosa, autoritária, chata, mal humorada e as pessoas que me amam mesmo assim são amadas em proporção maior, não tento mudar ninguém e esse exercício de aceitar as diferenças acorda comigo e se deita também não é fácil mas eu tento, não permito que ninguém tente me mudar as mudanças ocorrem de dentro para fora e não ao contrário e não discuto sobre isso, mania feia essa humana querer moldar as pessoas para que elas caibam dentro do seu mundo. Preciso dos meus amigos, mas preciso de solidão também, aprendi que não são todas as pessoas que fazem bem e que eu também não faço bem a todas as pessoas, não costumo impor minha presença a quem não gosta de mim nem de aguentar a daqueles que não gosto. Complicada, egoísta muitas vezes, mas antes de tudo eu costumo respeitar a privacidade dos outros e a minha, e bem não sei se isso é auto-suficiência mas se for não vejo nisso um problema, mas o que eu sei né...



